Já te falei do poder que tens sobre mim? Já, já o referi algumas vezes, nos textos bonitos a que estás habituado. É pena, habituei-te mal. Sempre te falei do bem que me fazias e quase nunca do mal. Pois, digo-to agora nas derradeiras palavras, e espero depois delas, nunca mais me ter de lembrar da tua existência, nem da tua passagem pela minha vida. Não sou pessoa de acalentar rancores, vinganças, nem nada do género, mas é inevitável nutrir um certo desdém por certas pessoas, e lamento dizê-lo, tu és uma delas. Não posso deixar de te elogiar por essa capacidade de enganar, de me levar e embalar nas tuas doces mentiras. Essas que dizes serem inexistentes, talvez até sejam. As que podes provar, nesses factos dizes a verdade. Mas nas emocionais, nas promessas, nos sentimentos, mentes com quantas forças tiveres para mentir – e são muitas. E eu acreditei. Cada vez que disseste gostar, eu acreditei. Cada vez que me fizeste sentir a única, eu acreditei. Cada vez que me prometeste uma “vida a dois”, eu acreditei. E por ter acredito, sinto-me tão estúpida. Sempre acreditei que podia ser verdade, que tinhas mudado, que afinal podias ser o dito “príncipe encantado”. É pena que ainda estejas na fase do sapo, é. Conseguiste, se o teu objectivo era ter-me na palma da mão, conseguiste. Mais uma para a lista (; só te esqueceste dum pormenor: quando eu me desse conta que afinal era apenas outra, ias perder-me, e para sempre. Uma vez, uma vez eu ainda fecho os olhos, podes ter mudado. Mas duas? Já é exagero. Agora, podes até ignorar o que te estou a dizer, achar-me uma exagerada, uma ridícula, mas – e isto eu prometo-te – vais sentir a minha falta. Quando voltares a não ter “ninguém que te queira”, como dizes, vais-te lembrar de mim, do que já tiveste, e do que nunca mais terás.
Anda lá, pergunta-me porque é que te estou a escrever isto, pergunta. Eu digo-te, pois mesmo depois de dizeres que gostavas, me ignoravas. Porque mesmo depois de dizeres que eu era a única, encontrei outras, porque quando estava quase a agarrar-me outra vez a ti, tu me largaste. É uma pena, é. É uma pena desperdiçar a fé que tinha em ti, em nós, o que gostava de ti. Mas olha, o que está feito, feito está, e agora, é só raiva e dó que tenho de ti. E continuo a dizer, é uma pena, pois tu és um potencial grande Homem. Ou eras, porque estragado como estás… O que mais me chamou a atenção em ti (a seguir à voz), foi a tua maneira despreocupada, louca de ser – mas parece que afinal isso é normal aí na cidade onde vives – pois, mas nunca esperei que fosse tão louca a ponto de ser má. Tão necessitada de carne fresca, feminina, que te levasse a destruíres-te por ela. E com isto, entenda-se, enganar e mentir. É uma pena, é mesmo uma pena, pois eu achava que tu eras diferente. Tu próprio disseste que eras diferente. Afinal és tão igual, tão banal, que até mete pena. É só para te desejar boa sorte para o futuro, pois bem vais precisar. Ou então tens de mudar. Não estragues mais a tua vida, já chega de pena. Não precisas de responder, isto foi só para te alertar. Adeus.